quinta-feira, 7 de julho de 2011

A erva do sul

Como o mate, planta de uso tradicional indígena, se tornou um símbolo de identidade cultural compartilhado por várias nações sul-americanas.


Levadas para a ervateira, as folhas de mate são sapecadas para retirar parte de sua umidade. A seguir, a erva é cancheada - folhas e galhos são cortados e picados. Depois de outra secagem vem o chamado soque, o processo final de trituração. O mate enfim está pronto para ser empacotado e vendido.

Faz um domingo frio e ensolarado em Porto Alegre. O céu muito azul, depois de dias de chuva, é um convite a sair de casa. O parque da Redenção, o mais popular da capital gaúcha, está lotado. Jovens casais conduzem carrinhos de bebês. Idosos tomam sol ou leem jornal. Atletas domingueiros passam com o fôlego curto. Jovens andam de bicicleta ou sentam-se em grupos animados sobre o gramado.

A cena não seria diferente da de qualquer outro parque urbano não fosse por um detalhe. Muitos desses porto-alegrenses comungam o mesmo curioso hábito. Enquanto conversam, passeiam, tomam sol ou chamam a atenção das crianças, eles vão consumindo uma bebida quente, sorvida de recipiente côncavo chamado de cuia, com a ajuda de um canudo metálico prateado. Cada cuia é sempre compartilhada por duas ou mais pessoas. Reabastecida com água quente, ela vai sendo passada de mão em mão entre amigos de um mesmo grupo, em um ciclo que se renova repetidas vezes.

Uma semana depois, no malecón da rambla que margeia o estuário do rio da Prata na capital do Uruguai, Montevidéu, a cena se repete. Observo casais de namorados, famílias, pescadores de fim de semana, todos desfrutando de mais um domingo de sol e da mesma misteriosa bebida quente, com seus mesmíssimos instrumentos e gestos: a cuia entre as mãos, a bomba entre os lábios, a garrafa térmica debaixo do braço.

Degusta-se o mate quente ou frio, dependendo da latitude. A bebida ganha o nome de chimarrão no Brasil e de mate nos países de língua hispânica. Sua versão refrescante, com água fria, é o tereré (pronuncia-se "tererê"). O consumo do mate está tão entranhado no cotidiano do Sul do Brasil e em três vizinhos austrais - Argentina, Paraguai e Uruguai - que, às vezes, pode se tornar até assunto de Estado. Ou de segurança no trânsito. O atual presidente uruguaio, José Alberto Mujica, ameaçou, no início de seu governo, declarar guerra aos funcionários públicos flagrados usando a cuia durante o expediente. Na Argentina, um polêmico deputado propôs, no ano passado, um projeto de lei que aplicará pesadas multas a quem tomar mate enquanto dirige na província de Buenos Aires.(O caso provocou reações indignadas dos caminhoneiros. Afinal, nas rutas argentinas, os postos oferecem não só gasolina para os veículos mas também água quente para as garrafas térmicas que enchem as cuias de mate - o combustível dos motoristas.) E, em Porto Alegre, museus, como a Fundação Iberê Camargo, anunciam já na porta, em uma placa em que se vê uma cuia coberta por uma faixa oblíqua: "É proibido 'matear' nas dependências do museu".

"A erva-mate tem efeitos digestivos e diuréticos, mas é mais consumida por ser estimulante. Tem alcaloides em sua composição, como a cafeína", explica o professor Antônio Salatino, do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo. A cafeína, que atua no sistema nervoso central, aumenta a capacidade de concentração e atenção, e está presente em outras bebidas, como café, chocolate e guaraná. Nenhuma delas, porém, conquistou tanto seus consumidores como a erva-mate. Afinal, ninguém sai de casa com garrafa térmica para preparar cafezinhos na rua, toma chá ao dirigir ou constrói monumentos ao guaraná - muitas cidades sulistas, contudo, erigiram estátuas oficiais à erva, esculturas em forma de cuia instaladas em parques, praças ou na confluência de avenidas importantes.

Essas efusivas manifestações de amor a uma infusão típica só fazem reforçar a pergunta: de onde vem a surpreendente paixão com que se consome o mate nesta parte da América?

Em uma fria manhã de junho, veem-se poucos carros na BR-153, rodovia que liga Bagé a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O agente Carlos Antônio de Araújo Carvalho, da Polícia Rodoviária Militar, contempla a estrada vazia entre sorvos de seu chimarrão. É um quadro em que tudo está no lugar certo: paisagem, homem, erva-mate - uma imagem perfeita do sul-rio-grandense em seu hábitat natural. Carvalho, porém, é fluminense de Volta Redonda, e está ali servindo o tempo de uma transferência temporária. O chimarrão é um hábito recente, mas fundamental.

"Tomar mate me ajudou na adaptação ao frio do sul", diz. "Também me ajudou a fazer amigos. O chimarrão tem papel importante na socialização das pessoas. Ele é um pretexto para se reunir. As pessoas se encontram, conversam em roda enquanto a cuia vai passando de mão em mão." Diante do súbito ronco da cuia, sinal de que a água acabou, ele alcança a garrafa térmica sobre o balcão e enche novamente o porongo decorado de entalhes em baixo-relevo com motivos campestres. "O mate me ajudou a me tornar um pouco mais nativo", reflete.

Outra estrada, a RS-332, corta o verde vale do Taquari, na serra gaúcha, a principal zona produtora da planta no Brasil. Por isso, também é chamada de Caminho da Erva-Mate. Nas suas margens, pequenas cidades e indústrias dependem de produção e comercialização da commodity nativa. Os ervais sucedem-se à beira da via de asfalto, mas, à primeira vista, fica difícil perceber terrenos cultivados, já que não há aparente regularidade na disposição das árvores.

De perto, a planta de erva-mate - Ilex paraguariensis, como foi classificada pelo naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, em 1822 - tem caule acinzentado e folhas ovaladas de um verdeescuro brilhante. Nos ervais, ela nunca é muito alta, pois cada árvore é podada para se manter a não mais que 3 metros de altura e facilitar a colheita periódica dos ramos. Porém, na mata, certos exemplares podem chegar a 12 metros.

As árvores nativas são o tesouro da Ervateira Putinguense, uma empresa familiar administrada há várias gerações pela família Guadagnin. Sua produção tem certificação florestal: é orgânica, sem agroquímicos, e os pés de erva-mate crescem entre outras árvores no meio da mata. "Meus pais já produziam erva-mate quando ainda se usava banha de porco no lampião para alumiar a casa", conta Eduardo Guadagnin, atual responsável pela empresa. "A cancheadeira era movida a cavalo e toda a erva passava pelo barbaquá", prossegue ele, referindo-se aos antigos fornos rústicos em que as folhas da erva-mate eram secadas - a empresa está hoje totalmente mecanizada. Guadagnin produz apenas para o mercado nacional, mas a certificação florestal de seu produto tem conseguido novos clientes fora do mercado tradicional, como a empresa de cosméticos Natura, que utiliza o extrato das folhas de erva-mate em alguns de seus produtos de beleza.

Perto dali, em Ilópolis, sente-se a influência da erva-mate até no nome da cidade. Ele deriva de ilex (a primeira palavra do nome científico da erva) e de polis (cidade, em grego). Ilópolis, cidade do mate. É tempo de comemoração no município de 5 mil habitantes descendentes de italianos, onde as poucas avenidas são divididas por jardineiras que servem de apoio para grandes cuias de mate, uma decoração permanente em homenagem a seu principal produto. Naquela noite, aconteceria a primeira aparição pública das Soberanas do Mate, as madrinhas de uma festa tradicional que ocorre a cada dois anos, sempre na primeira quinzena de novembro.

No início da noite, o interior do antigo Moinho Colognese, decorado com sacos de erva-mate e bandeiras italianas e brasileiras, já está repleto de ilopolitanos, ansiosos com a aparição de suas soberanas. Autoridades circulam entre os presentes, trocando impressões e expectativas sobre a festa. Nos cartazes e nos cartões de visita das autoridades chama a atenção o logotipo municipal: o nome Ilópolis seguido de três folhinhas de erva- mate - a primeira verde, a segunda amarela e a terceira avermelhada -, que representam as cores dos estágios de germinação pelos quais passa a semente da planta. Não por acaso, são também as cores da bandeira do Rio Grande do Sul.

Depois de longo suspense, o resultado: Viviane de Bona, de 17 anos, Gessica Provence, de 18, e Franciele Dall'Agnol, de 20 - a rainha e as duas princesas do mate em 2010 -, adentram o recinto. Trajadas em vestidos longos cuja cor homenageia o tom rubro do último estágio da semente de erva-mate e coroadas de diademas, as lindas soberanas recebem o aplauso entusiasmado dos presentes. Seguem-se os discursos das autoridades, que enfatizam o fato de que a erva representa 70% da economia municipal. "A planta é o nosso ouro verde", afirma um dos presentes.

A commodity lidera um mercado quase tão antigo quanto a chegada dos espanhóis à bacia do Prata, a partir de onde adentraram no continente. Em São Miguel das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, ainda é possível escutar fantasmagóricas vozes de índios e colonizadores. E também gritos de guerra, tropéis de cavalos, algaravias de batalhas antigas entre portugueses, espanhóis e tribos indígenas. Para ouvi-los, é preciso que seja noite fechada e você se coloque diante das ruínas de uma antiga e monumental igreja. Não se trata de uma atividade paranormal: as vozes são do espetáculo Som e Luz, uma atração turística do sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo, que conta a saga das missões jesuíticas no Brasil e nos países vizinhos.

No século 17, a coroa espanhola e a Igreja se opunham na defesa de dois modelos distintos de colonização para a região. O centro dessa disputa era o índio. De um lado os representantes da empresa colonial - soldados, comerciantes, mercadores - buscavam a conquista total da nova terra, o que incluía a escravização de todos os seus índios. Do outro os padres da Companhia de Jesus propunham civilizar o índio em comunidades autônomas e igualitárias, nas quais as principais atividades seriam o trabalho e a devoção a Deus. Entre 1610 e 1707, a Companhia de Jesus fundou 30 dessas comunidades - as missões jesuíticoguaranis -, espalhadas por uma área de cerca 490 mil quilômetros quadrados, território que hoje é dividido entre Brasil, Argentina e Paraguai.

As missões, também chamadas de reduções, foram os principais centros de desenvolvimento da bacia do Prata. Os jesuítas introduziram ali a pecuária, além de diversas técnicas e artes europeias, como a fundição de metais, o trabalho com o couro, a escultura e a música. E também foram os primeiros a organizar o cultivo da erva-mate.

"O mercado da erva surgiu no início do século 17, dentro do sistema de trocas da colônia espanhola", explica o arqueólogo Artur Barcelos, da Universidade Federal do Rio Grande, que participou de diversas escavações na antiga redução de São Miguel Arcanjo, cujas belas ruínas hoje integram a lista do Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade da Unesco. A erva era um hábito frequente dos índios guaranis e chegou a ser proibida pelos espanhóis no início da colonização, mas isso logo mudou com a percepção de seu valor de troca - o mate tornou-se então um importante recurso econômico. "Os missionários foram bem-sucedidos no cultivo da árvore, sabendo que o excedente de sua produção poderia ser vendido a um bom preço. Muitas reduções ficaram ricas com o comércio. A Companhia de Jesus tinha um registro bastante preciso de sua economia interna", conta Barcelos.

Graças ao intercâmbio constante dos grupos indígenas subjugados pelos espanhóis, o hábito do mate espalhou-se pela colônia, chegando até o alto Peru, às minas de prata de Potosí, na Bolívia, e ao Chile. A palavra máti, da língua quíchua, que designa a cuia, acaba batizando a planta - a erva que se toma no máti: erva-mate.

Pergunto a Barcelos por que tomar mate é algo tão arraigado nesta parte do continente. "A persistência tem a ver com o processo histórico de miscigenação. A região platina tem um passado colonial comum, e gosta de cultivar suas tradições. O mate é uma delas. É algo que nos une, um hábito público. Uma espécie de código de convívio e também um signo de identidade", diz.

Uma lenda guarani conta a história de um velho guerreiro de pernas trôpegas que, já incapaz de sair para as guerras, pescando e caçando com dificuldade, pediu a um mensageiro do deus Tupã uma solução para seus males. O mensageiro entregou-lhe o galho de uma árvore e ensinou-o a fazer uma infusão - ka'ay - que lhe devolveria suas forças. O velho combatente assim fez, recuperou o vigor perdido e divulgou a novidade entre os membros de sua tribo, os quais, passando a tomar a infusão ka'ay, se tornaram cada dia mais fortes e valentes.

Ka'ay: é assim que se chama o mate no mercado El Quatro, em Assunção, no Paraguai, onde o guarani é a língua oficial nacional, ao lado do espanhol. Uma comerciante, Amelia Galeano, tenta nos ensinar a falar mate em guarani. Mas ka'ay é uma palavra de difícil pronúncia. O problema é o ipsílon final, um som levemente gutural, que se pronuncia com a língua no céu da boca, e não existe em português nem em espanhol. Amelia vende garrafas térmicas para mate e tereré, um artigo indispensável do paraguaio. Ela tem termos especiais para mulheres, cobertos de bordados, tecidos floridos e estampados. Ou, para torcedores de futebol, com brasões dos times do Mercosul. E, para homens elegantes, revestidas de pelo de vaca macio ou de couro de alta qualidade. Há ainda garrafas térmicas para ocasiões especiais, como aniversário de namoro, casamento, o Dia das Mães, com dedicatórias gravadas como "Te quiero", "Tu eres mi cariño" ou "Felicidad, mamá!"

Assunção fica às margens do rio Paraguai, e quem cruza suas águas adentra território argentino. Se Amelia Galeano fosse vender suas garrafas na outra margem, ela certamente fracassaria. Pois os argentinos não costumam tomar seu mate na rua. São mais discretos. (Decerto porque não achem muito elegante andar com um termo a tiracolo.) Isso não quer dizer, porém, que apreciem menos o mate que seus vizinhos.

Muitas celebridades argentinas já declararam seu amor à erva-mate. Em um texto, o escritor Julio Cortázar lembra a época em que morava em Paris, e esperava com ansiedade as caixas enviadas de Buenos Aires, "cajoncitos en los que la familia nos mandaba yerba", entre outros mantimentos. Jorge Luis Borges, em um de seus poemas, elogiou o perfume que se desprende de uma cuia de mate. E o revolucionário Ernesto Che Guevara fez questão de ser fotografado inúmeras vezes com mate e bombilla entre as mãos.

Apesar de não gostarem de consumir a bebida na rua, os argentinos inventaram um jeito de tomar mate em público - os chamados bares de mate. No bairro de Palermo Viejo, em Buenos Aires, é possível ver, em um domingo, amigos em torno de uma mesa sorvendo de cuias modernas, coloridas, de alumínio anodizado a água quente suprida por chaleiras - que os argentinos chamam de pavas - do mesmo material.

O empresário Santiago Olivera é dono de três bares na capital argentina, e um dos precursores dessa nova modalidade de se tomar mate. "Tudo começou na época em que eu era universitário", diz. "Os estudantes bebem mate para virar a noite em véspera de prova e entrega de trabalhos."

É manhã de sexta-feira, e em seu bar Volviste Clara, no centro da cidade, todas as mesas estão ocupadas por grupos de alunos com livros abertos, cadernos e laptops - ao lado, é claro, de cuias de erva-mate. "É bem mais íntimo que o café. Como a cuia é compartilhada, o mate aproxima as pessoas, cria laços", explica a jovem Arantza Olagues. "O mate aconchega. É um ritual de confiança", completa seu colega Matías de Vicenzi.

Jaguarão, na fronteira entre Brasil e Uruguai, fica às margens do rio de mesmo nome. A cidade histórica, famosa por suas casas antigas, de altas portas entalhadas, platibandas e bandeiras bem preservadas, deverá ser declarada patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) em 2011. Na margem oposta fica Rio Branco, no Uruguai. Na verdade, Jaguarão e Rio Branco são praticamente uma só cidade, cujas duas metades por acaso estão em países diferentes. Natural de Jaguarão, embora hoje more em Pelotas, o escritor Aldyr Garcia Schlee me acompanha em uma visita à região. Ele é autor de vários livros sobre as tradições sulistas e a vida na fronteira.

Sobre o rio Jaguarão estende-se a ponte internacional Mauá, com seus arcos elegantes refletidos sobre a superfície da água. Nesse domingo, há um vaivém frenético na ponte, pois Rio Branco é na verdade um enorme free shop que atrai nos fins de semana milhares de brasileiros ávidos por compras. "Aqui eles podem ir ao exterior sem sair do interior", observa Schlee com um sorriso.

Sacoleiros e turistas passam o domingo nas lojas do outro lado da fronteira, e a cidade mantém seu ritmo tradicional. A praça diante da Igreja Matriz está cheia de pequenos grupos, acompanhados de suas garrafas térmicas, tomando chimarrão. Chegamos ao cerro da Pólvora, onde se encontram as ruínas de uma antiga enfermaria militar construída em 1883. Ali, conta Schlee, será erguido o futuro Centro de Interpretação do Pampa, que deverá ser inaugurado em 2012, um grande museu dedicado às tradições pampeanas - como seu hábito de tomar mate.

Fonte: http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/edicao-136/erva-mate-631626.shtml?page=0

Amores antigos, mas sem rotina

Não deixe que a intimidade influencie negativamente a relação



Quando estamos num relacionamento há tempo suficiente para não precisarmos mais nos preocupar com o estado do nosso cabelo ou da roupa que estamos vestindo, começamos a relaxar também em outro setor igualmente importante: as boas maneiras. Talvez por consideramos que o outro está ganho ou que, como já nos conhece bem, irá deixar pra lá, passamos a esquecer sistematicamente pequenas gentilezas que continuamos a oferecer para estranhos como "obrigado" e "por favor". Ou ainda não usamos um tom mais dócil na hora de pedir uma ajuda ou sequer temos consideração antes de descarregar um monte de problemas na cabeça do outro.

Não é interessante pensar que aquele que amamos geralmente é alvo de birras, de respostas "atravessadas", de mau humor, de pedidos ríspidos? Apesar disso parecer intimidade, na verdade é apenas uma desculpa para tornarmos o outro uma espécie de servo para nós. Por mais que tenhamos problemas e seja reconfortante poder chorar no ombro de nossa cara metade, não podemos aceitar que ela deva ser desrespeitada ou tratada mal apenas para provar que nos ama o tempo todo.

Na verdade, quantas mulheres não usam isso de base para medir o amor de seus homens? Elas dizem: "depois de tudo o que eu já fiz, ele continua aqui comigo, então realmente me ama". Isso chega a ser dito muitas vezes como sendo um grande triunfo. Porém, se nos colocássemos na posição do outro, veríamos o quanto é difícil lidar com um companheiro que está constantemente irritado, desequilibrado, dizendo grosserias, deixando-nos simplesmente sem uma resposta sobre determinado assunto ou saindo sem dizer aonde vai, entre tantas outras desconsiderações.

Por isso, pense um pouco se você não está fazendo isso com a pessoa que mais ama e procure:

  • Dizer por favor e obrigado
  • Considerar a opinião do outro sem rebater rapidamente
  • Ser menos crítico ou julgador
  • Não aumentar o tom de voz para se impor
  • Levar em consideração o desejo e a disponibilidade do outro
  • Não fazer chantagem emocional para conseguir o quer
  • Não ficar falando sem parar, sem observar se não está atrapalhando

Tendo isso em mente, você não só terá intimidade, como também uma relação agradável, cheia de respeito e compreensão. Afinal, quando achamos que o outro está ganho, deixamos de nos esforçar, melhorar e até mesmo surpreender. E não há intimidade que suporte a mesmice do dia-a-dia. Então, que tal sempre olhar seu amor como alguém que você acabou de conhecer e que precisa conquistar? Só este pensamento já não faz as coisas terem um sabor diferente? Experimente!


Fonte: http://www.personare.com.br/revista/amor/materia/1541/amores-antigos-mas-sem-rotina

sexta-feira, 17 de junho de 2011

8 dicas para a mulher endividada reestruturar as finanças

As mulheres são as campeãs da inadimplência, mas com disciplina e planejamento podem voltar ao azul e até passar a poupar


Mulheres são as mais endividadas até 500 reais e costumam cair nas armadilhas do cartão

As mulheres sem dúvida ganham cada vez mais espaço no mundo do trabalho, do consumo e dos investimentos, mas esse protagonismo vem acompanhado de um lado bem menos festivo. De acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 55% dos devedores são mulheres, o que mostra que, para muitas delas, o ganho de renda veio acompanhado da angústia das dívidas.

Não é à toa. Mulheres ganham em média 30% menos que os homens no Brasil, e a diferença salarial é observada até entre ocupantes do mesmo cargo. Fora isso, os gastos femininos são diversos e constantes. Além de sujeitas aos apelos da moda e da demanda social por um maior cuidado com a própria aparência, as mulheres também costumam concentrar a responsabilidade pelas despesas diárias da família, como alimentação, roupas, eletrodomésticos, itens para o lar e material escolar para os filhos.

Mas são justamente esses gastos corriqueiros e de baixo valor que podem se tornar verdadeiras bestas incontroláveis. Apesar disso, uma pesquisa americana já provou que as mulheres são mais controladas e, portanto, mais bem sucedidas na hora de investir. Ou seja, potencial para lidar bem com as finanças todas têm. Veja, a seguir, oito dicas para as mulheres que querem sair do vermelho e reestruturar a vida financeira.

1 Use investimentos para pagar as dívidas

Mesmo quem tem poupança no banco ou investimentos em renda fixa muitas vezes acaba se endividando. Nesse caso, o mais aconselhável é usar as reservas para quitar a dívida o mais rápido possível, sem aquele apego que investidores menos experientes costumam ter. “A rentabilidade do investimento é sempre menor que os juros que a pessoa vai pagar”, diz a educadora financeira Sandra Blanco.

Um exemplo: suponha que o investimento em renda fixa rendeu, num mês, 0,8%. Para cada 1000 reais investidos, o investidor ganhou, portanto, 8 reais. Uma dívida de 1000 reais no mesmo período, com juros de 10% ao mês, passa a ser de 1.100 reais. “Vale a pena ganhar 8 reais e pagar 100?”, provoca Sandra.

2 Renegocie as dívidas

As devedoras que não têm um tostão poupado devem começar a se preocupar antes que o nome entre em um cadastro de inadimplentes, o que normalmente ocorre após três meses de endividamento, embora possa acontecer com apenas um dia de atraso. O primeiro passo é listar todas as dívidas e trocar as mais caras pelas mais baratas. Quem ainda não está com o “nome sujo” pode obter um empréstimo a juros menores para quitar as dívidas com juros maiores.

Se o CPF já foi parar em um cadastro de inadimplentes, a única maneira é listar as dívidas – é possível fazer isso nos balcões de empresas como SPC ou Serasa – e tentar renegociá-las, com novos prazos e parcelas que caibam no bolso. Fazer um empréstimo com alguém da família para quitar a dívida o quanto antes também é uma opção. Mas lembre-se de firmar o compromisso em contrato.

3 Considere a inflação

“Para não se endividar, é preciso botar todas as despesas na ponta do lápis e fazer a conta fechar. Se a inflação comprometeu o orçamento, é hora de reestruturá-lo, para que a conta continue fechando”, aconselha Sandra Blanco.

4 Quando o cartão de crédito é inimigo

A armadilha que mais costuma “pegar” os inadimplentes é o cartão de crédito. O conselho dos especialistas é nunca, mas nunca mesmo, pagar apenas o mínimo da fatura. Isso porque, ao fazer isso, o limite se renova para o mês seguinte. Quem não tem dinheiro deve simplesmente não pagar, para que um novo limite não incentive mais gastos.

Outro erro a ser evitado é somar o limite do cartão à própria renda mensal. Isso é uma ilusão. O consultor financeiro Mauro Calil, por exemplo, aconselha que a soma dos limites de todos os cartões não ultrapasse metade da renda. “A pessoa tem uma falsa sensação de que tem recursos. Até que um dia, o mínimo da fatura passa a corresponder a 50% da renda, de tanto que a dívida cresceu. É nessa hora que a pessoa percebe que está endividada”, diz Dora Ramos, diretora da assessoria contábil Fharos.

A pesquisa do SPC mostrou que as mulheres são a maioria das devedoras para somas de até 500 reais, enquanto os homens são os principais endividados acima desse valor. Como geralmente ganham mais, os homens tendem a pôr em seu nome as dívidas mais altas, como os financiamentos habitacionais e de veículos. Isso não significa, contudo, que as mulheres não contribuam com parte da renda para esses pagamentos.

Quem já comprometeu a renda com o pagamento do cartão de crédito vai, evidentemente, ficar sem dinheiro para pagar as despesas básicas que não são pagas no cartão: contas de luz e gás, aluguel e escola dos filhos, só para citar alguns, além de sua parte nos financiamentos longos dos bens mais caros da família. A inadimplência pode se espalhar para outras despesas.

5 Anote o seus gastos

Pode ser pela fatura do cartão, pelo extrato do banco, pela planilha, pelo caderninho, não importa. O importante é anotar para manter controle desses pequenos gastos e saber direitinho por onde o dinheiro está escorrendo. Quem costuma parcelar as compras no cartão precisa ter cuidado redobrado. Um produto dividido em seis vezes comprometerá parte de sua renda ao longo de seis meses. Se no mês seguinte foi feita uma nova compra, parcelada em oito vezes, já serão duas parcelas para se preocupar pelos próximos cinco meses.

6 Planeje as compras

Saia de casa sabendo o que vai comprar. Antes de ir ao mercado, faça uma lista de compras. E procure ater-se sempre ao planejamento. O apelo de consumo, as vitrines, a moda, a manha das crianças, uma discussão com o chefe, com o marido ou com os pais, uma TPM, qualquer coisa pode ser motivo para a compra por impulso de algo que não é necessário, mas é preciso contar até dez e resistir à tentação.

“O planejamento familiar também deve prever alguns supérfluos e emergências, pois estes também fazem parte do dia a dia da família. Se apenas o básico estiver previsto, o orçamento nunca terá um respiro para sair do essencial”, aconselha Dora Ramos.

7 Corte e economize

Com um controle mais rígido dos pequenos gastos já fica mais fácil saber onde cortar. É preciso ter real noção do que é necessário, do que é capricho e do que é simplesmente desperdício. Para Dora Ramos, o melhor é pensar nas finanças como se a própria pessoa fosse uma empresa, cortando aquilo que for desnecessário, trocando para marcas mais baratas e, é claro, aproveitando promoções e liquidações. “Ninguém vai sair de moda porque comprou peças da coleção anterior por um preço mais em conta”, diz Dora.

8 Cuidado com as promoções

Só cuidado para não cair na armadilha dos falsos bons negócios. Aproveite uma promoção apenas depois de ter certeza de que 1) você precisa do produto ou serviço e 2) o item em promoção está realmente mais barato. Parece óbvio, mas se endividar para comprar um item desnecessário só porque ele está em promoção não é inteligente. E parece mais óbvio ainda que onde está escrito “promoção” necessariamente o produto será mais barato, mas nem sempre é o que acontece. “Às vezes o que está em promoção em uma loja, supermercado ou site pode ser encontrado por um preço ainda menor em outro lugar. É importante pesquisar”, diz Dora Ramos.


Fonte: http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/credito/noticias/8-dicas-para-a-mulher-endividada-reestruturar-as-financas?page=1&slug_name=8-dicas-para-a-mulher-endividada-reestruturar-as-financas

segunda-feira, 13 de junho de 2011

8 formas de ajudar seu filho a ficar rico

Saiba como gastar tempo e dinheiro em coisas que realmente abrirão portas para ele no futuro



Universidade Harvard: se endividar para pagar uma faculdade cara demais não é a melhor forma de ajudar seu filho a enriquecer

Todo mundo já sabe que ficar rico não é fácil, mas planejar o futuro financeiro e tomar decisões com muita antecedência é sempre a forma mais fácil de atingir seus objetivos. Veja abaixo oito formas de começar a preparar seu filho desde já para que ele possa desfrutar uma vida financeiramente confortável no futuro:

1 - Não eduque demais os filhos

Fazer um mestrado ou um doutorado costuma ser caro e demorado. Isso pode até soar como heresia para muita gente, mas nem sempre o investimento vai valer a pena. No livro "Pai Rico, Pai Pobre", um dos maiores best-sellers de finanças pessoais da história, os autores Robert Kiyosaki e Sharon Lechter defendem que o caminho mais curto para ficar rico é procurar acumular, o quanto antes, ativos que gerem renda e permitam conquistar a independência financeira. Eles qualificam de "corrida dos ratos" a busca constante por qualificações e títulos em escolas renomadas para conseguir melhores empregos. Do ponto de vista financeiro, dizem, faz muito mais sentido ensinar os filhos a farejar oportunidades nos mercados imobiliário e acionário que possam levar a ganhos maiores e mais rápidos. Em entrevista a Forbes.com, o economista Laurence Kotlikoff, da universidade de Boston, ilustrou essa mesma teoria de outra maneira. Ele afirma que, nos Estados Unidos, o ganho médio de pessoas graduadas em pedagogia ou psicologia não chega à metade do salário de um encanador. Outra vantagem do encanador é a de poder começar a trabalhar e ganhar dinheiro bem mais cedo do que alguém que precisa esperar até a conclusão de um curso superior. Kotlikoff não quer dizer que um diploma universitário ou uma pós-graduação não sejam importantes para ninguém. Mas ele aconselha o investimento na carreira acadêmica a quem adora livros. Quem sonha em ganhar um bom dinheiro precisa adquirir conhecimentos que valham dinheiro no mercado.

2 – Não se endivide para pagar uma faculdade cara demais

Laurence Kotlikoff, da universidade de Boston, também aconselha as pessoas a não se endividar para dar ao filho um curso de graduação em uma faculdade renomada. Há diversas faculdades no Brasil que chegam a cobrar mensalidades que somam 30.000 reais ou mais por ano de seus alunos. A dívida acumulada, seja por meio de empréstimos bancários ou pelo programa governamental de financiamento educacional Fies, poderá superar facilmente os 100.000 reais ao término da graduação. O governo brasileiro oferece duas oportunidades para os jovens estudarem de graça: as universidades públicas e as bolsas do ProUni. Se nenhuma das duas possibilidades estiverem ao alcance dele, não se desespere. Para Kotlikoff, é melhor fazer uma faculdade mais barata do que chegar ao mercado de trabalho bastante endividado. Afinal, diz o professor, talento e ambição são muito mais importantes para alguém ganhar dinheiro do que a escola onde ele estudou.

3 – Dê incentivos financeiros para seu filho tentar ganhar mais dinheiro

Não é fácil começar uma carreira, seja ela qual for. Quem acaba de entrar no mercado de trabalho geralmente não possui qualificações suficientes para ganhar muito dinheiro ou executar tarefas desafiantes. É natural, portanto, que seu filho fique desanimado com os primeiros anos de carreira. Uma forma de convencê-lo a continuar em busca de progresso profissional é dar incentivos financeiros que lhe motivem a buscar maiores rendimentos no futuro. A forma certa de fazer isso é depositar em uma conta que ele não possa movimentar uma quantidade de dinheiro proporcional a seus ganhos. Então, se ele ganha 2.000 reais por mês, você pode complementar a renda em mais 1.000 reais. Quando ele ganhar um aumento, também deposite mais dinheiro para ele. Só permita resgates nessa conta para a realização de sonhos importantes. Essa estratégia gera três benefícios: 1) mantém seu filho mais motivado com o trabalho; 2) cria uma reserva de emergência para ele; e 3) permite ganhos representativos no futuro com o recebimento de juros sobre juros.

4 – Ensine seu filho a cuidar do próprio dinheiro desde cedo

A maioria das pessoas costuma dar pequenas quantias de dinheiro aos filhos para que eles comprem um ingresso de cinema ou um lanche na escola. Ao invés de fazer isso, dê somas maiores de dinheiro uma única vez por mês e deixe ele decidir se vai gastar com uma roupa nova, uma viagem ou saindo à noite. Se ele gastar tudo em uma semana, não sinta culpa em dizer "não" quando ele lhe pedir mais dinheiro. Isso vai ensiná-lo a evitar desperdícios e a gastar com coisas que realmente valem a pena. No futuro, quando ele sair de casa para estudar em uma faculdade, dificilmente vai lhe telefonar para dizer que ficou sem dinheiro e que precisa de ajuda.

5 – Presenteie seu filho com ações

O educador financeiro Mauro Calil é um dos maiores entusiastas da ideia de formar uma poupança para o filho com ações quando ele ainda é muito jovem. Diversos estudos mostram que, no longo prazo, a bolsa costuma dar retornos bem superiores à renda fixa. Ainda que isso nem sempre seja verdade, no longo prazo sempre haverá algum momento de alta no mercado em que será possível vender papéis de empresas sólidas com um bom lucro. Mantidas sob sua própria custódia, essas ações poderão garantir a seus filhos conquistas importantes, como estudos em uma boa faculdade, a compra da casa própria ou a possibilidade de abrir um negócio. Também vai ensinar a seu filho a importância de poupar no longo prazo e procurar aplicações financeiras de maior rentabilidade como a bolsa. Se os juros continuarem em queda no Brasil como se espera, provavelmente seu filho não terá a mesma chance de obter bons ganhos com investimentos de renda fixa como as gerações atuais.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Carro com gás é só para quem roda muito

Para quem se encaixa no perfil, economia costuma ser radical; mas é bom ficar atento às limitações


Conversão de preço salgado só compensa mesmo para quem roda mais de 100 km por dia

Apesar da recente e sustentada queda nos preços dos combustíveis, a alta do etanol e da gasolina no início de ano levou os brasileiros a reconsiderarem o Gás Natural Veicular (GNV) como alternativa para economizar na hora de encher o tanque. A entressafra da cana acabou, mas altas futuras não devem ser descartadas – o próprio ministro de Minas e Energia Edison Lobão já prevê que o desabastecimento ocorra novamente no ano que vem.

Nesse cenário de incertezas, resta a dúvida de quem ainda tem um carro movido por um combustível líquido: vale a pena convertê-lo para rodar com gás natural? Levando em conta que o GNV é mais eficiente que a gasolina e o etanol, seus preços com certeza estão vantajosos. De acordo com levantamento semanal da ANP, na semana encerrada em 4 de junho, o preço do GNV no Brasil ficou em 1,629 real em média, frente a 2,792 reais da gasolina e 1,939 do etanol. Mas existem outros custos e poréns envolvidos, que devem ser observados por quem pensa em adotar o novo combustível.

GNV não é para todo mundo

Isso não significa que seja impossível adaptar certos tipos de veículos. A princípio, qualquer carro pode ser convertido para rodar com GNV. O problema é que o custo do kit gás é elevado, podendo variar entre 2.000 e 7.000 reais, dependendo da geração do equipamento e do modelo do veículo. Para que a conversão compense, é preciso que ela se pague num tempo razoável. De nada adiantará, por exemplo, se o carro for trocado antes de se cobrirem os custos de adaptação.

“Se o sujeito roda uns 80 km por dia, já não vale a pena”, diz o professor de engenharia mecânica da FEI, José Roberto Coquetto. Ele mesmo gastou 2.500 reais para adaptar seu Kadett 1.8, pois roda nada menos que 200 km por dia. “Eu parcelei o equipamento em seis vezes, mas não tirei um centavo do bolso. Apenas com a economia de combustível eu consegui pagar”, conta ele.

O ideal é que o motorista rode pelo menos uns 100 km por dia útil – ou pouco mais de 2.000 km por mês. Nesse caso, com a atual média do preço do GNV a 1,629 real, um equipamento de 3.000 reais se paga em cerca de 8 meses. Ou seja, o perfil do motorista deve ser o de alguém que mora longe do trabalho, viaja muito de carro ou mesmo que dependa do veículo para trabalhar, como taxistas e vendedores.

Preços do GNV em geral são mais vantajosos

Os preços do metro cúbico de gás também oscilam, assim como os da gasolina e do etanol, e estão sujeitos a crises de desabastecimento do mesmo jeito. Mas para o GNV perder competitividade frente aos demais combustíveis é preciso que seu preço seja mais de 35% maior que o da gasolina e mais de 80% maior que o do etanol.

Isso porque o GNV costuma ser de 30% a 40% mais eficiente que a gasolina. “O poder calorífico do GNV é maior que o da gasolina, o que equivale a dizer que em um metro cúbico do gás há mais energia que em um litro de gasolina”, esclarece o professor José Coquetto. Em média, um carro que faz 10 km/L a gasolina, faria 7 km/L com etanol e 13 ou 14 km/m3 com GNV. Esse veículo rodaria 100 km com apenas um cilindro de gás de 7,5 m3, o de menor volume disponível hoje.

Normalmente, quanto menor a potência do motor, mais acentuada é essa diferença e, consequentemente, a economia. “O meu Kadett 1.8 faz 12, 13 km/m3, mas um carro popular deve fazer bem mais”, diz o engenheiro. Usando o mesmo exemplo de antes, com os preços médios atuais, o motorista que roda 2.200 km por mês realiza uma economia de cerca de 60%, seja com motor a gasolina, a álcool ou flex. Em vez de ter um gasto de mais de 600 reais por mês com combustível, o condutor desembolsaria apenas 255 reais.

Adicione-se a essa economia, eventuais descontos no IPVA. No estado do Rio, quem instala um kit gás recebe um abatimento de 75% no imposto, ao passo que no estado de São Paulo o desconto é de 25%.

De qualquer maneira, para quem já tem o sistema instalado e quitado pela economia ao abastecer, o resto é só alegria. Mesmo que o preço do GNV se torne desvantajoso, ainda será possível rodar com o combustível original, uma vez que após a conversão, o carro se torna bicombustível. Simule em quanto tempo o investimento se paga e de quanto é a economia com GNV.

Problemas causados pela instalação do kit gás

É verdade, adaptar o veículo para rodar com GNV pode causar alguns problemas. Mas nada incontornável, de acordo com José Coquetto. A principal recomendação do professor é que o motorista sempre tenha o tanque original abastecido e que rode durante pelo menos uns cinco minutos por dia com o combustível líquido. “Não é a instalação do kit gás que dá problema, é a falta de funcionamento do sistema original”, explica do professor da FEI.

Ele nega que a conversão faça mal ao motor, mas admite que reduz a vida útil das velas e dos cabos de velas, que precisam ser trocados com mais frequência. Outro problema que pode ocorrer é uma perda de potência entre 10% e 15%. “Num veículo de potência razoável, digamos 1.8, essa perda é quase imperceptível. Agora, um carro 1.0, na subida de uma ladeira e carregado com algum peso certamente vai sofrer. Mas essa é uma situação atípica. Se ocorrer, o motorista pode simplesmente usar o combustível original”, diz Coquetto.

Outra desvantagem óbvia é a perda de espaço no porta-malas em função da instalação dos cilindros. Ela vem acompanhada do ganho de peso do veículo – cada cilindro pesa em média 70 quilos. Carros compactos podem, portanto, exigir cilindros em tamanho e número reduzido, tanto por causa do espaço quanto para não sobrecarregar a suspensão. “No meu Kadett, por exemplo, eu precisei melhorar a tensão das molas”, relata o engenheiro.

É preciso ficar atento a algumas restrições também. Enquanto que a conversão é facilitada em veículos movidos exclusivamente a etanol, ela se torna mais complexa quando o automóvel é flex ou tem o câmbio automático. No primeiro caso, o carro vai precisar de um equipamento chamado simulador inteligente para carros flex, para não ficar desregulado. Já no segundo caso, será preciso utilizar equipamentos de conversão otimizados, de quinta geração, os mais modernos e caros que existem.

Cuidados na instalação e manutenção

A instalação de um kit gás é uma adaptação e, obviamente, pressupõe alguns riscos. O mais óbvio é a desvalorização do veículo numa eventual revenda, como ocorre com os carros que possuem equipamentos instalados. Em segundo lugar, é preciso ter cuidados na hora da instalação. É fundamental procurar uma das oficinas credenciadas pelo Inmetro e observar as seguintes orientações:

- Exigir que o instalador execute o teste de emissões. Ele deve ter o analisador de gases na própria oficina, do contrário, procure outra;

- Exigir a nota fiscal do serviço e do kit, com a discriminação de todos os componentes instalados;

- Exigir o “Rol de Qualidade” do Inmetro totalmente preenchido, bem como o Certificado de Homologação para fazer o registro junto ao DETRAN estadual;

- Observar se os cilindros são de aço e se não têm soldas;

- Realizar a cada cinco anos o “reteste” do cilindro, uma revisão do kit e do cilindro que custa na faixa dos 100 reais;

- Ao notar qualquer defeito ou vazamento, levar o veículo à instaladora homologada.


Fonte: http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/carros/noticias/carro-com-gnv-e-so-para-quem-roda-muito?page=1&slug_name=carro-com-gnv-e-so-para-quem-roda-muito

Casais que moram em casas separadas

Espaços próprios preservam a individualidade e evitam a rotina



Nos últimos tempos venho percebendo que uma nova modalidade de relacionamento vem se instalando entre os casais, que não chega a ser um casamento, mas é mais que um simples namoro. O namoro pressupõe um tipo de relacionamento em que o casal se encontra nos finais de semana ou, mais de uma vez durante a semana, mantém contato virtual - seja por telefone, torpedos ou via internet - e se presta a curtir bons momentos e aprofundar o conhecimento sobre o outro. Geralmente a vida sexual é ativa e o acordo é de fidelidade. Com o passar do tempo esse relacionamento pode ou não vir a desembocar num casamento.

O casamento pressupõe uma união debaixo do mesmo teto, geralmente com o objetivo de constituir uma família. Nos moldes convencionais, as pessoas se casam por interesses afetivos mútuos e fazem planos para adquirir bens materiais, crescer e amadurecer emocionalmente e ter filhos. Também pretendem garantir uma segurança sólida, trazendo conforto íntimo para ambos.

É claro que existe um sem número de variações sobre o mesmo tema, mas de modo geral, namoro e casamento ainda conservam as mesmas características e intenções há muitos anos.

Não é namoro e nem casamento

Mas parece que os casais encontraram uma terceira via de relacionamento e isso ocorre normalmente quando ambos já têm uma certa estabilidade profissional e financeira. São casais que usualmente já passaram por algumas experiências afetivas e ao mesmo tempo estão numa idade - por volta de 30 anos - em que já traçaram planos individuais de conquistas na carreira e satisfação de desejos de consumo. Outra situação em que essa modalidade de relação vem se tornando frequente é entre pessoas divorciadas, cujos filhos já estão crescidos. São pessoas que não querem abrir mão de uma vida já estável e construída e que, ainda assim, desejam um parceiro estável para partilhar seu afeto, seus planos, seus pensamentos ou suas dúvidas de forma madura.

Assim, assumir um casamento convencional parece ser limitador na medida em que fazer muitas coisas juntos pode atrapalhar ou interferir nos planos individuais, que passam por experiências no exterior, aperfeiçoamento nos estudos e oportunidades profissionais importantes, além do desejo de manter e cultivar o grupo pessoal de amigos e assim por diante. Por outro lado, o namoro pode se mostrar débil, uma relação frágil demais quando esse casal se mostra de fato interessado na construção de uma vida mais plena e comprometida.

Espaços próprios

A saída, muitas vezes até mesmo definitiva, tem sido o cultivo de um espaço próprio para cada um - uma casa com toda a infraestrutura, ao gosto e administração próprios, com as portas semi-abertas para o companheiro. Eu digo semi-abertas porque nesse tipo de relação cabe especialmente a opção de ficar solitário, seja para que o "respiro" da relação aconteça, seja para se manter em contato consigo mesmo e com o universo que cada um construiu e estabeleceu para si.

Desta forma, algumas vezes ou até mesmo na maior parte do tempo, um dorme na casa do outro, mas não mora lá. E ambos se sentem livres para voltar para suas casas sem que isso cause qualquer constrangimento ou impacto negativo.

Obviamente não existe receita para que relacionamento algum seja eterno, mas essa convivência pode obter sucesso se alguns preceitos básicos forem observados:

  • Vale ter uma gaveta e alguns cabides na casa para guardar seus objetos pessoais, mas não vale ocupar metade do guarda-roupa do parceiro.
  • É justo levar alimentos que só você consome e usar a geladeira, mas é invasivo fazer toda a compra de supermercado, desrespeitando os gostos ou as marcas preferidas pelo dono da casa.
  • É necessário estabelecer limites saudáveis para evitar constrangimentos, e aí entram os acordos sobre atender ou não o telefone, ter ou não liberdade para abrir armários, convidar ou não amigos pessoais para a casa do parceiro e outros temas que possam sugerir invasão de privacidade.
  • Em resumo, uma relação desse tipo precisa de algum tipo de formalidade que passa mesmo por boas maneiras e respeito ao espaço do outro.

Em princípio e por razões práticas, se ou quando esse casal decide ter filhos os moldes desse relacionamento deverão ser repensados. Nesse caso, é melhor para os casais que já tem crianças, pois podem perpetuar o que vou chamar de "convivência assertiva". E mais para frente, quando a necessidade de massagens nas costas se tornar mais frequente, o casal pode pensar no bom e velho "casamento".


Fonte: http://www.personare.com.br/revista/amor/materia/1493/casais-que-moram-em-casas-separadas

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Conciliando carreira e filhos

Por princípio, quando se está com os filhos, é preciso esquecer o trabalho. Este é o momento de dedicação familiar e qualquer interferência externa pode atrapalhar

Muitos profissionais sofrem com a falta de tempo e desejariam ter mais momentos com seus filhos, mas não o fazem devido ao trabalho. Claro, tudo varia de profissão para profissão, mas há dicas para que todos consigam ter um relacionamento saudável e que não deixem o trabalho sufocar o convívio e o relacionamento familiar.

familia-parque-350Algo que acredito, todos notaram, foi esse movimento natural que os casais têm feito. Gestações mais tardias e um número menor de descendentes, cada casal com um motivo: estabilidade familiar, prioridade na carreira, aproveitar a juventude, dentre outros. Mas ter um filho é muito mais que isso tudo e envolve, querendo ou não, muito dinheiro. Há cuidados com alimentação, educação, mudanças na rotina etc. E como tudo nesse mundo, acredito que haja um meio termo.

Por princípio, quando se está com os filhos, é preciso esquecer o trabalho. Este é o momento de dedicação familiar e qualquer interferência externa pode atrapalhar. O tempo deles (cônjuge e filhos) deve ser somente deles. Outro fator que incomoda muitos pais é a culpa que eles tomam para si por “não terem tempo para ficar e se dedicar aos filhos” e, com isso, cedem a todos os desejos deles. Ninguém gosta de ter um filho taxado de “mimado”, certo? Este é o segundo ponto: os pais não devem baixar a guarda para o comportamento de seus filhos, só porque muitas vezes ficam praticamente o dia todo longe das crianças. Muitas vezes o mau comportamento da criança é sinônimo da falta de atenção dos pais, afinal, filhos querem atenção!

Falando sobre o cuidado deles, a ajuda de terceiros é, claro, sempre bem vinda, mas há que se ter limites quanto à alimentação e disciplina, principalmente. E, por mais que se esteja longe, há artimanhas que podem ajudá-los a não ficarem com aquela impressão de que tem “pais ausentes”. Uma dessas dicas é ligar, vez ou outra (mas não sempre), para perguntar como estão, o que estão fazendo, enfim, bater papo. Outra alternativa que vejo muitos profissionais fazerem, é dedicar dois, três almoços por semana em casa (ou outro lugar), com a família. Isso ajuda a manter o contato também.

Para quem viaja muito, a dica é dedicação e qualidade no tratamento. Faça os momentos com os pequenos serem verdadeiros e intensos, e isso vale para qualquer situação. Crianças têm uma empatia e inteligência muito fortes, e percebem quando os atos não vêm do coração. Se você der carinho e atenção na dose certa, eles jamais se sentirão abandonados. Claro que é difícil, para muitos pais, pensar separadamente e de forma lógica sobre o filho, afinal, o amor é incomensurável neste caso.

Todos precisam fazer escolhas o tempo todo na vida. Se você escolheu ter uma carreira que necessite dedicação extrema, dedique-se. Da mesma maneira, se escolheu ser pai, dedique-se também ao seu filho, mas sabendo dosar as medidas de cada um, e o horário de cada qual. O meio termo, como sempre digo, é fundamental.

Fonte: http://www.amanha.com.br/blogs/92-vida-executiva--por-bernt-entschev/1955-conciliando-carreira-e-filhos